Estratégias de Adaptação ao Calor Extremo
Este site apresenta os resultados da pesquisa desenvolvida no âmbido do Projeto Quasar da Mensa Brasil, sobre como tornar Teresina mais resiliente às altas temperaturas, focando em soluções baseadas na natureza e arquitetura bioclimática.
Mensa Brasil
Identificação e apoio a pessoas com AH/SD.
Projeto Quasar
Promovendo a iniciação científica.
Valentina Portela Ferreira
Pesquisadora mirim e autora do Projeto
12 anos, estudante do 7º ano do Ensino Fundamental no Instituto Dom Barreto. Moradora de Teresina. Medalhista na Jornada Nacional de Foguetes e participante da OBSAT.
Profa. Patricia Limaverde
"A orientação foi conduzida com ênfase na construção do pensamento crítico e na curiosidade científica, acompanhando a estudante Valentina na investigação de problemas urbanos concretos e na elaboração de possíveis caminhos de intervenção. No contexto da mentoria no Projeto Quasar da Mensa Brasil, o trabalho buscou articular o interesse pela ciência a uma atuação comprometida com a transformação social, tendo como horizonte a realidade da comunidade de Teresina."
O Fenômeno B-R-O bró
O período de setembro a dezembro em Teresina.
Fonte: https://s2-g1.glbimg.com/
Entre setembro e dezembro, Teresina enfrenta um aumento significativo das temperaturas, conhecido como B-R-O bró, que afeta o conforto e o bem-estar dos moradores. Este estudo buscou entender as causas e impactos sociais desse fenômeno, além de investigar soluções sustentáveis. Por meio de entrevistas com teresinenses, foram levantadas sugestões para melhorar o conforto térmico na cidade. A pesquisa bibliográfica ampliou o conhecimento sobre estratégias arquitetônicas para mitigar o calor, considerando práticas de outras cidades aplicáveis a Teresina.
Por Que Aquece?
A investigação apontou múltiplos fatores geográficos e urbanos para o calor de Teresina.
Latitude e Insolação
Teresina está localizada entre as coordenadas 4º58’ e 5º12’ S. Por estar muito próxima da Linha do Equador, a cidade recebe uma incidência direta e intensa de radiação solar durante todo o ano, o que favorece as temperaturas elevadas.
Continentalidade e Altitude
A cidade possui uma altitude baixa (aprox. 72 metros) e está afastada do litoral. Essa combinação impede que a brisa marítima refresque a região e contribui para o clima tropical semiárido, com baixa umidade e alta variação térmica.
Posição entre Rios
Situada entre os rios Parnaíba e Poti, a combinação das características fluviais com o clima quente e seco potencializa o efeito de "abafamento" e calor local.
Baixa Arborização
A escassez de áreas verdes agrava o desconforto térmico. Sem árvores para sombrear e transpirar, o calor não é mitigado naturalmente.
Estrutura Urbana
O excesso de asfalto e concreto cria o efeito de "Ilhas de Calor Urbano", onde os materiais absorvem radiação durante o dia e liberam calor à noite.
Vozes de Teresina
Relatos colhidos em entrevistas com moradores sobre os impactos reais do calor extremo na saúde e no cotidiano.
"Sinto muita dor de cabeça e cansaço constante. Parece que a energia acaba no meio do dia."
- Vendedora Autônoma, 45 anos
"Meus filhos têm sangramento nasal direto. O ar fica tão seco que arde ao respirar e as crianças não conseguem brincar fora."
- Mãe de dois filhos, 32 anos
"Temos que gastar muito mais com energia elétrica para o ar-condicionado, senão ninguém dorme ou trabalha direito."
- Funcionário Público, Bairro Jockey
Saúde das Gestantes
Uma pesquisa da G1 Piauí (2025) revelou que o calor extremo causa pressão baixa, falta de ar e fadiga severa em gestantes de Teresina.
FONTE: G1 PI (2025)
Impacto Emocional
Moradores relatam aumento significativo nos níveis de estresse, irritabilidade e diminuição da disposição física para atividades básicas.
FONTE: ENTREVISTAS DA PESQUISA
Estatística de Impacto
88%
Das gestantes entrevistadas em estudos locais relatam prejuízos físicos diretos devido ao B-R-O bró.
Resultados das Entrevistas
1. Impactos no Cotidiano e Saúde
| Perfil do Morador | Relatos de Impacto (B-R-O bró) |
|---|---|
| Mulher, 60 anos Professora (Ininga) | Adoecimento (dor de cabeça, mal-estar), cansaço, dificuldade para dormir e irritação respiratória. |
| Mulher, 31 anos Mocambinho (Norte) | Sangramento nasal, mal-estar constante e interrupção de atividades físicas. |
| Mulher, 33 anos Eduardo Costa (Sul) | Angústia, dependência extrema de ar-condicionado e risco percebido na gravidez. |
| Mulher, 49 anos Fazenda Real (Rural) | Impacto mental e físico: humor, apetite, saúde e disposição afetados. |
| Homem, 32 anos Cristo Rei (Sul) | Alterações no sistema nervoso, stress e cansaço físico intenso. |
| Mulher, 70 anos Aeroporto (Norte) | Corpo fatigado e exaustão física constante. |
2. Estratégias e Sugestões para a Cidade
| Perfil do Morador | Estratégias de Autocuidado | Sugestões para a Estrutura da Cidade |
|---|---|---|
| Mulher, 60 anos | Beber água e suco, protetor solar, alimentação leve. | Reverter desmatamento, preservar áreas verdes em projetos habitacionais, cuidar dos rios. |
| Mulher, 31 anos | Hidratação, frequentar locais arborizados ou climatizados, roupas claras. | Foco massivo em arborização urbana. |
| Mulher, 33 anos | Banhos recorrentes, uso de ar condicionado e climatizador. | Plantio de árvores nas ruas. |
| Mulher, 49 anos | Água, banhos diários, roupas frescas, evitar choques térmicos, alimentação leve. | Menos asfalto, criar microclimas, usar construções ancestrais/indígenas para reduzir calor. |
| Homem, 32 anos | Protetor solar, evitar horários de pico, hidratação e frutas. | Casas planejadas para reduzir temperatura, espaços para plantas em casa. |
| Mulher, 70 anos | Beber líquidos e evitar exposição direta ao sol. | Criação de parques ambientais e mais áreas verdes nos bairros. |
Planos e Estratégias de Adaptação
Inspirações Mundiais
| Cidade / País | Estratégias de Adaptação ao Calor Extremo |
|---|---|
| Barcelona (Espanha) | Rede de refúgios climáticos (bibliotecas, escolas), ampliação da arborização urbana e sombreamento de espaços públicos. |
| Paris (França) | Renaturalização urbana, telhados verdes, ilhas de frescor e adaptação térmica de praças. |
| Melbourne (Austrália) | Programa Urban Forest: expansão massiva da cobertura arbórea para reduzir ilhas de calor. |
| Singapura (Singapura) | Conceito de "cidade-jardim", telhados e fachadas verdes, corredores ecológicos e planeamento bioclimático. |
| Phoenix (EUA) | Escritório de Mitigação do Calor, pontos de resfriamento e uso de materiais refletivos. |
| Tel Aviv (Israel) | Arquitetura climática, sombreamento urbano e ventilação natural. |
Matriz de Arquitetura Climática
| Estratégia | Descrição Científica | Aplicação |
|---|---|---|
| Ventilação Cruzada | Disposição estratégica de aberturas opostas para favorecer a circulação contínua do ar. | Casas tradicionais e projetos sustentáveis. |
| Brises e Cobogós | Elementos que bloqueiam a radiação solar direta, garantindo sombreamento e ventilação. | Arquitetura modernista brasileira. |
| Fachadas Verdes | Paredes vegetadas que reduzem a absorção de calor e aumentam a evapotranspiração. | Singapura e Paris. |
| Inércia Térmica | Uso de materiais densos (adobe, taipa, concreto) que retardam a transferência de calor. | Construções no Semiárido. |
| Pátios Internos | Criação de microclimas mais frescos com ventilação natural e iluminação difusa. | Arquitetura árabe e indígena. |
| Uso da Água | Fontes e espelhos d'água que auxiliam no resfriamento por evaporação. | Cidades históricas da Europa e Médio Oriente. |
Simulações de Impacto em um Bairro Fictício
Simulações em vídeo
Referências Bibliográficas
- ALERTA do Inmet sobre calor e cuidados essenciais no Piauí. Diário do Povo, 26 nov. 2025. Disponível em: https://diario.dopovo.com.br/2025/11/26/alerta-do-inmet-sobre-calor-e-cuidados-essenciais-no-piaui/. Acesso em: 05 dez. 2025.
- ALTAS temperaturas no verão devem colocar hipertensos em alerta. Jornal da USP, 11 jan. 2019. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/altas-temperaturas-no-verao-devem-colocar-hipertensos-em-alerta/. Acesso em: 03 dez. 2025.
- CENTRO DE PREVISÃO DE TEMPO E ESTUDOS CLIMÁTICOS (CPTEC/INPE). Monitoramento climatológico do Brasil: Teresina (PI), Campo Maior (PI), Piripiri (PI), Tianguá (CE), Ubajara (CE), Sobral (CE) e Fortaleza (CE). Cachoeira Paulista: INPE, [s.d.]. Disponível em: https://www.cptec.inpe.br/. Acesso em: 03 out. 2025.
- GIVONI, Baruch. Climate considerations in building and urban design. New York: John Wiley & Sons, 1998.
- INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Altitudes das cidades brasileiras. Rio de Janeiro: IBGE, [s.d.]. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/. Acesso em: 03 out. 2025.
- LAMBERTS, Roberto; DUTRA, Luciano; PEREIRA, Fernando O. R. Eficiência energética na arquitetura. 3. ed. São Paulo: ProLivros, 2014.
- OLGYAY, Victor. Design with climate: bioclimatic approach to architectural regionalism. Princeton: Princeton University Press, 1963.
- ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 11: cidades e comunidades sustentáveis. [S.l.]: ONU, 2015. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs/11. Acesso em: 05 dez. 2025.
- PRESSÃO baixa, falta de ar e fadiga: pesquisa revela impacto do calor extremo na saúde de gestantes em Teresina. G1 Piauí, 20 maio 2025. Disponível em: https://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/2025/05/20/pressao-baixa-falta-de-ar-fadiga-pesquisa-revela-impacto-do-calor-extremo-na-saude-de-gestantes-em-teresina.ghtml. Acesso em: 03 dez. 2025.
- ROMERO, Marta Adriana Bustos. Arquitetura bioclimática do espaço público. Brasília: Editora UnB, 2001.
- TERESINA (PI). Fundação Municipal de Saúde. FMS alerta para os cuidados com a saúde no período do B-R-Ó BRÓ. Teresina: FMS, 2025. Disponível em: https://site.fms.pmt.pi.gov.br/noticia/2821/fms-alerta-para-os-cuidados-com-a-saude-no-periodo-do-b-r-o-bro. Acesso em: 31 out. 2025.
- WORLD RESOURCES INSTITUTE BRASIL (WRI BRASIL). Acelerador de Soluções para o Calor Urbano: apoio a projetos de adaptação ao calor extremo nas cidades brasileiras. [S.l.]: WRI Brasil, 2025. Disponível em: https://www.wribrasil.org.br/projetos/acelerador-solucoes-calor-urbano. Acesso em: 05 dez. 2025.
Relatório de Pesquisa Científica
Pesquisa realizada de Setembro de 2025 a Março de 2026
Todos os anos, entre setembro e dezembro, quem mora em Teresina passa por um período muito quente chamado B-R-O bró. Nessa época, as temperaturas ficam super altas e isso acaba afetando a saúde, o bem-estar e até a rotina das pessoas. Pensando nisso, surgiu a ideia deste projeto: entender por que faz tanto calor em Teresina, como isso impacta a vida das pessoas e o que a cidade pode fazer para se adaptar de forma mais sustentável.
A principal pergunta da pesquisa foi: quais as causas e os impactos do calor extremo em Teresina e como melhorar o conforto térmico para os moradores da cidade? Usamos duas estratégias de pesquisa no projeto: entrevistas com moradores e pesquisas em fontes confiáveis.
As entrevistas foram feitas com pessoas de diferentes bairros, para entender como cada uma sente o calor no dia a dia. Muitas relataram problemas como cansaço, dor de cabeça, dificuldade para dormir, irritação e estresse. Algumas até falaram de questões mais sérias, como sangramentos no nariz e riscos para gestantes. Além disso, o calor também afeta o emocional e a rotina, diminuindo a disposição e aumentando o uso de ar-condicionado. Ou seja, não é só desconforto — é um problema de saúde e qualidade de vida.
Na pesquisa bibliográfica, descobri que o calor de Teresina tem várias causas. A cidade fica perto da Linha do Equador, então recebe muito sol. Além disso, está longe do litoral e tem circulação de ventos insuficiente devido ao baixo relevo. Outro fator importante é a estrutura urbana da cidade: pouca arborização e muito asfalto e concreto, que acumulam calor e formam as chamadas “ilhas de calor”.
Depois de entender o problema, busquei soluções. Os próprios moradores deram ideias como plantar mais árvores, criar parques e aumentar áreas com sombra. Mas também pesquisei o que outras cidades do mundo estão fazendo para lidar com o calor extremo.
Por exemplo, em cidades como Singapura, existem muitos corredores verdes, que são áreas com bastante vegetação que conectam parques e ajudam a refrescar o ar. Além disso, eles usam bastante telhados verdes, que são coberturas com plantas em cima dos prédios. Isso ajuda a diminuir a temperatura dos edifícios e também melhora a qualidade do ar.
Em cidades da Europa, como Paris, estão sendo criadas as chamadas “ilhas de frescor”, que são espaços públicos com sombra, água e vegetação, onde as pessoas podem se refrescar durante ondas de calor. Outra estratégia muito interessante vem de Los Angeles, que usam pavimentos mais claros (tipo um asfalto mais refletivo), que absorvem menos calor. Isso ajuda a diminuir a temperatura das ruas e, consequentemente, do ambiente ao redor.
Também existem cidades que estão investindo em teclados verdes (plantas nas paredes dos prédios) e em aumentar a quantidade de árvores nas ruas, o que pode reduzir bastante a temperatura local. Estudos mostram que ruas arborizadas podem ser vários graus mais frescas do que ruas sem árvores.
Outro ponto importante foi estudar a arquitetura bioclimática das habitações, que propõe construções pensadas para o clima. Por exemplo: usar ventilação natural, sombras, materiais adequados e vegetação. Isso ajuda a diminuir a temperatura dos ambientes e reduz a necessidade de ar-condicionado, o que também economiza energia. Muitos conjuntos habitacionais de Teresina não foram pensados com essas estratégias.
No começo, pensei em fazer uma maquete física, mas depois evoluí a ideia para uma maquete virtual de uma Teresina sustentável. Assim, ficou mais fácil mostrar as soluções de forma interativa, como ruas com árvores, ciclovias sombreadas, áreas verdes e construções adaptadas ao clima.
Também criei um site interativo com os resultados da pesquisa, as entrevistas e as possíveis soluções. O objetivo é divulgar o projeto e ajudar mais pessoas a entenderem o problema e pensarem em como melhorar a cidade.
Durante o projeto, tive algumas dificuldades, como superar a timidez para realizar as entrevistas, selecionar informações mais relevantes para a pesquisa diante de tantas fontes de informação e a melhor maneira de apresentar o aprendizado que tive na pesquisa.
No final, percebi que o calor extremo em Teresina é resultado das condições ambientais do lugar onde vivemos, mas também das escolhas feitas para a estrutura da cidade ao longo do tempo, o que nesse caso pode ser mudado com planejamento, tecnologia e participação das pessoas. Como próximos passos, seria interessante melhorar o site e envolver mais a população, ajudando a construir uma Teresina mais sustentável, inteligente e com estratégias adequadas para o conforto e bem - estar da população.
Pesquisa Bibliográfica
A investigação científica identificou que o calor de Teresina decorre de uma conjunção de fatores geográficos e urbanos. A latitude (entre 4º58’ e 5º12’ S), próxima à Linha do Equador, garante alta incidência solar. A continentalidade e a baixa altitude (72m) dificultam a chegada de brisas marítimas, resultando em clima tropical semiárido com baixa umidade no B-R-O bró.
Além disso, a morfologia urbana, caracterizada pelo excesso de asfalto e concreto e pela baixa arborização, cria ilhas de calor que impedem o resfriamento natural. A posição geográfica entre os rios Parnaíba e Poti, embora importante, potencializa o efeito das temperaturas elevadas devido às características fluviais combinadas ao clima seco.
Resumo das Entrevistas
As entrevistas qualitativas realizadas com moradores de diversos bairros revelaram um cenário de desconforto térmico severo. Os principais impactos relatados incluem fadiga física, dor de cabeça, sangramentos nasais e estresse emocional.
Houve destaque para a vulnerabilidade de grupos específicos, como idosos e gestantes. Estudos complementares confirmaram que mais de 88% das gestantes sentem prejuízos físicos diretos decorrentes das ondas de calor no período do B-R-O bró.
Síntese de Estratégias de Adaptação
As soluções propostas baseiam-se na Arquitetura Bioclimática e na Infraestrutura Verde. Estratégias como ventilação cruzada, uso de brises, cobogós e coberturas vegetadas (telhados verdes) são fundamentais para reduzir a dependência de climatização artificial e economizar energia.
No âmbito urbano, a criação de Corredores Verdes, Cidades-Esponja e Refúgios Climáticos surge como caminho viável. A arborização massiva e o planeamento sensível ao clima podem reduzir a temperatura local em até 5ºC, promovendo o bem-estar e a resiliência de Teresina.
Valentina Portela Ferreira • Projeto Quasar • Mensa Brasil